"Tomara Deus que nada nos separe dessa vez"


Leia o texto ouvindo essa música.

Sabe quando está tudo escuro ainda e você ouve a voz da sua mãe te gritando e ao mesmo tempo ela te sacode?!
Parecia que o mundo ia acabar em pleno feriado, com os gritos da minha mãe para que eu acordasse. Em certa hora cheguei a pensar até que tinha perdido a hora da missa. Que nada! Não era domingo. Era um feriado qualquer.

- Vambora. Acorda ! Ele está na sala te esperando.

É nessa hora que eu penso que deve ter sido meu pai, que veio me visitar. Ainda mais pelo desespero dela em encontrar uma roupa o mais rápido possível.

- Mãe, ele pode esperar. - falo me sentando na cama. E esfregando o rosto.

Já sabia que o MEU humor iria ficar péssimo.
Odiava ser acordada assim! Meu Deus! Minha mãe precisa ter mais delicadeza ao me acordar.
E é aí que uma frecha da porta de abre.
Eu devia estar sonhando! Só pode. O que ele está fazendo aqui?! Pera! Eu estou com a cara toda amassada, cabelo bagunçado e de pijama. Não pode ser.

- Desculpa, mas eu achei que ela iria gostar de um motivo pra realmente se apressar.

- O. Que. Você. Está. Fazendo. Aqui?! - Estou incrédula! - Saia! Eu estou horrível! Jesus Cristo! Mãe !

- É, não vou dizer que você está linda, mas você sabe que aparência é a última coisa que presto atenção quando o assunto é você. Vamos! Te dou 15 minutos pra você levantar daí e se preparar para vir falar comigo.

Nessa hora minha mãe sai do quarto com minhas roupas. É incrível o quanto ela gosta dele. Ela sempre torceu pela gente. Mas de uns tempos pra ca, ela vivia dizendo que a gente não ia dar certo.
Saio correndo e passo por ele para ir até o banheiro. Tudo já está organizado: roupa, cremes, perfume... Entro no boc correndo, ainda sem acreditar.
Até que minha mãe entra e encosta na porta.

- Filha, o que está acontecendo aqui ?

- Eu não sei. A última vez que nos falamos foi ontem de noite! E ele não falou nada que viria aqui hoje. Meu Deus! Deve ter acontecendo alguma coisa.

- Desde que vocês terminaram, ele não voltou aqui.

- Nós ainda somos amigos, mãe!

Depois do meu longo processo de me arrumar, entro na sala e sento ao lado dele. Ele pega o controle e desliga a televisão, me abraça e diz um "bom dia".

- Você está nervosa ?! - acho que ele fala isso por conta do meu coração que está bastante acelerado. E estava nítido sentir isso com o nosso abraço - Olha, vou direto ao ponto. Eu terminei com aquela garota. Ela não era pra mim. Ela é maravilhosa, linda, a gente até se combina. Mas ela não é pra mim. E eu quem terminei. Depois que a gente se aproximou de novo eu reparei que não da pra gente ser só amigo. Você sofre e eu me engano. Todos os dias eu tenho vontade de ficar com você jogando damas, resta um... Esses jogos bestas que você adora. Tenho vontade de te buscar todos os dia da escola pra te levar pro ponto, só pra te ouvir reclamar que está cansada, que não  aguenta mais essa pressão... Quero você pra ser minha amiga. Pra se gabar que entende de esportes, quando na verdade, o que você sabe é o que você aprendeu na escola, na aula de educação física. Eu não aguento mais... Deixa eu te proteger, te ajudar com os problemas do dia-a-dia...

Eu começo a chorar, e o abraço. Ele sorri.

E é nessa hora que me espanto. Minha mãe está me chamando, dizendo que está na hora de ir pra escola. Droga, droga, droga! A única coisa que não foi mentira nesse sonho todo foram as lágrimas... E dessa vez foi por um motivo bem diferente...


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